Looks Like we’re shy of one horse…

Posted Maio 21, 2007 by armadaestratonauta
Categories: duelo, western, youtube

Nem sempre somos bem recebidos.
O importante é manter um bom nível de diálogo.

Resenha: Espaço Cultural Oi Futuro

Posted Maio 21, 2007 by armadaestratonauta
Categories: Sem categoria

Na revista Programa do JB da semana passada (11/05/07), vi uma matéria sobre uma exposição de fotografia no Espaço Oi Futuro, chamada ‘Fotomecanismos’, de Frederico Dalton. Estava com vontade de fazer um programa cultural (a exposição da China devia estar lotada) e gosto de fotografia – pensei que seria bom. A matéria devia ser de algum chegado do artista, o cara dizia coisas como: “Muito divertida, ao final da visita, eu e meu fotógrafo saímos como criança”. Exagero absurdo.

Mas só poderia saber disso quando já estava lá, e fui (acompanhado de outras três pessoas). Quando cheguei, encontrei um lugar bonito, bem decorado, com bastante gente e uma proposta meio high-tech, acesso gratuito à internet, essas coisas. Do lado de fora tinha uma movimentação, parecia que estavam prestes a armar um palco, mas ignorei. Perguntei para a moça de uniforme onde era a tal exposição de foto interativa. A criatura prestativa disse que era no segundo piso, e logo pensei: ‘cara, isso deve ser gigantesco’.

O fato é que cada piso do local parecia mais um hall ou um mezanino, muito pequeno. A exposição então, um pequeno mural (cinco painéis que mal enchiam a sala). A essência da tão louvada interatividade parecia residir no fato de que as fotos eram projetadas nas paredes e era possível interferir na projeção. Às vezes a gente tapava um pedaço da foto ou do conjunto, inventava novas configurações às imagens dadas, mas em 90% dos casos a interação era apenas fazer teatro de sombras na arte do cara. As fotos, apesar de poucas, se não eram ruins, não possuíam nada a destacar. A exceção fica por conta de uma peça em que a imagem um rapaz negro era projetada em tamanho real sobre uma pirâmide de caixas de isopor. Para mim possuía algo de provocativo e instigante, mas entre quatro pessoas isso não foi consenso, então nem deve ser mesmo isso tudo.

Em quinze minutos a “grande diversão” já estava esgotada completamente. Começamos a subir as escadas por mera falta de coisa melhor para fazer. Depois de dois ou três pisos dedicados à video-arte – uma forma de expressão artística que particularmente desprezo – dos quais a única coisa que me chamou a atenção foi uma mulher medonha me chamando para perto com o dedinho. Decidi que era hora de correr para cima. Foi então que sair de casa passou a valer a pena: me deparei com o Museu Das Telecomunicações.

Tinha mais funcionário na entrada desse museu que no lugar todo até então. A moça prestativa da vez deu um cordãozinho com um aparelho tipo um mp3 player, com fones e tudo, que soltava raios laser e ativava um áudio de apresentação das coisas na apresentação. A entrada é completamente psicodélica, como uma casa de espelhos. Lá dentro vemos, concentrado em um espaço relativamente pequeno, uma quantidade monstruosa de informação em vídeos, artefatos históricos, e toda a gama de material multimídia que poderia ser usado para isso.

Ali a criançada aloprava: tinha uma fila eterna para brincar com o Moog Theremin. A história do orelhão, desde uma cabine telefônica antiga com telefone de manivela ao modelo atual de cartão; toda a história dos principais meios de comunicação e de suas tecnologias, contada em linguagem acessível e com recursos interessantes; uma sala da linha do tempo das telecomunicações, em que selecionávamos um período e ele dava um vídeo sobre as coisas importantes que aconteceram durante; uma sala em que ‘Profetas do Futuro’, desde Platão à Einsten falavam sobre suas idéias em relação às mudanças que acompanharam na sociedade… uma variedade rica e um aprofundamento raro coabitavam a exposição.

O último destaque que faço questão de dar é o hemisfério colocado sobre o chão, em que é projetado um vídeo sobre ‘A Rede’. Vale conferir pela forma inusitada como tudo é projetado, pela beleza do texto e pelas imagens mesmo, as mais bonitas dentro de todo o Espaço.

Saímos, deixamos recado no livro de visitas virtual, ganhamos um brinde, chovia canivetes, o palco estava armado, mas show tinha sido cancelado e por isso nem lembro o nome da banda (parecia até legal), e quando entramos no carro, a luz acabou. Talvez, se tivéssemos demorado mais uns cinco minutos, se não tivesse chovido, teríamos mais histórias, mas foi só isso mesmo. Enfim, vale a pena visitar – a entrada é franca.

Mordida

Posted Maio 15, 2007 by armadaestratonauta
Categories: BH, creative commons, photoshop art, prédios

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Mordida, originally uploaded by pfff….

Imagem feita de imagens com licença Creative Commons do FlickR.

Descoberto na Suécia o consolo mais antigo do Mundo

Posted Maio 14, 2007 by armadaestratonauta
Categories: Suécia, antropologia, arqueologia, consolo, gay

Por Makelele Devendra Prabhudesai, correspondente internacional itinerante.

Kumla – Suécia

Uma descoberta arqueológica espantou o mundo essa semana em Götaland na Suécia, por seu caráter inusitado e pode-se dizer até revolucionário do ponto de vista sexual. Um objeto que lembraria um pênis humano foi encontrado em um sítio arqueológico ao norte de Kumla por Iverson Shüngth e sua equipe, todos da Universidade de Estocolmo.

Descobertas comprovam que a região da Escandinávia foi habitada na idade da pedra após o recuo do gelo da última era glacial. Os povos se concentravam por toda extensão do Mar Báltico e viviam aparentemente da pesca. Essa foi a primeira descoberta feita longe dos sítios arqueológicos do litoral sueco, o que Iverson justifica como sendo uma comunidade alternativa vivendo a parte e totalmente independente de outros povos. Não se pode dizer que seria uma expansão dos povos litorâneos, dada a tamanha diferença na concepção dos artefatos e da constituição da aldeia. – diz Iverson, – Se houver alguma relação entre os dois povos, só posso concluir que este seria fundado por exilados do povo litorâneo, que muito provavelmente foram expulsos e subiram as montanhas, por conta de seus costumes não condizentes com os do que ficaram.

A grande polêmica levantada sobre a questão da descoberta, foi a afirmação veemente de que dentre os objetos encontrados, haveria um que fosse um consolo pré-histórico. “Olhe a perfeição do artefato, a glande, o corpo, o escroto. É uma réplica idêntica de um órgão sexual masculino em sua forma mais atraente e sedutora”, exclama Iverson. Outras autoridades heterossexuais constataram que o objeto seria um mero socador de alho, porém o grupo de arqueólogos suecos se mostra ousado ao defender que essa descoberta significaria uma revolução na sexualidade humana, tendo em vista que até o momento, foram encontradas sete ossadas de homens e nenhuma de mulher, o que a equipe vislumbra como a primeira e mais antiga comunidade gay de que se tem notícia no mundo.

Os fatos se tornaram públicos esse domingo e o mundo já reage com muita exaltação a alegre notícia. Em São Francisco, nos EUA, uma legião de gays se mobiliza para uma peregrinação ao que hoje seria a “Meca cor-de-rosa” do mundo. Em São Paulo, homossexuais programam uma passeata em comemoração à descoberta. O Papa, que acabou de deixar o País, não se pronunciou a respeito da descoberta.

Homem de Areia

Posted Maio 14, 2007 by armadaestratonauta
Categories: Del Rey Shopping, despertador, férias, mãe, sonho, sonífero

Acordara aquela manhã bastante feliz. Apesar de ser uma pessoa simples, Miguel estava pronto para realizar um velho sonho. Levantou animado, desejou boa viagem a sua esposa, que ia passar o feriado com as crianças na casa da mãe – o casamento não ia lá muito bem. Mas nada disso o incomodava: fez a barba bem feita, tomou um café forte como gostava, vestiu sua camisa preferida (ignorando o fato de que estava manchada), calçou seus chinelos velhos e saiu para a rua animado, aquela era oportunidade perfeita.

A primeira parada foi à casa de sua própria mãe, que ficava ao lado da sua. Deu um caloroso beijo em sua testa, perguntou como estava passando, se estava satisfeita com a nova empregada que havia contratado (desconfiava-se que a antiga andava levando algumas coisas para casa), pediu desculpas pela falta de atenção, prometeu melhorar. Assistiu um pouco de televisão com a velha, mas ainda tinha muita coisa pela frente, então pediu que, como a Sara tinha viajado, se ela poderia acordá-lo no dia seguinte pela manhã, tipo umas seis e meia, porque tinha combinado de caçar com os amigos.
“Claro, meu filho! Você não vive mesmo sem mim”, ela disse, satisfeita.

Voltou para casa, calçou o sapato de Domingo, de couro preto brilhante, mas ainda estava com a camiseta amarela desbotada, com manchas brancas pequenas debaixo do braço esquerdo, e a bermuda de praia que ameaçava ceder a qualquer momento a sua barriga e deixá-lo apenas vestindo sua cueca furada de dormir. Uma figura estranha, por conseguinte, se dirigiu ao Del Rey Shopping.

“Tudo o que pensar, você encontra aqui”, é o que diz o anúncio, mas não achava sequer uma pessoa para informar onde ele conseguiria comprar despertadores. Superado esse empecilho – graças a um garoto prestativo por dez pratas – gastou bastante tempo escolhendo a cor, o modelo, o tipo de alarme, cada opção que fosse possível existir ele queria saber, cada detalhe era importante, não podia ser qualquer despertador. Por fim comprou alguns: o mais caro era um rádio-relógio que repetia uma gravação especial, tinha autonomia de dezesseis horas de bateria, prata com visor digital; o mais simples era um desses despertadores à pilha de estrutura semi-transparente comum em camelôs; um outro era à corda, no modelo clássico de ponteiro, com sinetas, tic-tac e cara de Mickey Mouse; e o último modelo era um igual ao que já tinha em casa, só que azul. Eram precisamente dez de cada tipo, totalizando 40 aparelhos. A vendedora superou a cota do Natal.

Colocou tudo no carro e seguiu para a loja de ferragens do Rafael, amigo dos tempos de escola. Pediu a munição de sempre.

- Amanhã eu pego um jacaré!! E me vê uma caixa de balas pro 38, quero ensinar ao garoto: tá chegando a hora dele saber se defender.
- Bom.
- E o Lázaro, viu?
- Vi sim, passou aqui e disse que ia pro bar do Zé Maria.

E logo,

- Ô Lázaro, tô precisando daquela receita de novo, pode ser? Duas da azulzinha e uma da branca.
- Pra que da branca, tua mulher não viajou?
- Quanto que dá?
- Ah, foda-se, mesmo preço de sempre.

Meteu tudo na mala, passou na farmácia, comprou só do remédio branco. Chegou em casa, descarregou tudo. Colocou os despertadores todos no quarto e almoçou cedo. Programou tudo de forma que um despertador de cada modelo despertasse a cada três horas. Fechou as cortinas, desligou o telefone da tomada, arrumou a cozinha, botou o gato para fora e deu comida para o cachorro. Separou seu martelo, colocou ao lado da mesinha de cabeceira, carregou seu 38, colocou-o sob o travesseiro, vestiu seu pijama novo do Natal, ajeitou as cobertas, ligou a televisão baixinho para dar sono, abriu a caixa nova de sonífero, tomou dois a seco mesmo, deitou e dormiu como um anjo.

Uma hora, trinta e oito minutos e seis segundos depois ele é acordado pela primeira leva de despertadores. Levantou-se calmamente, pegou seu martelo e acertou, destroiu, esmigalhou, reduziu a pó cada um dos aparelhos. Tomou mais dois comprimidos e voltou a dormir, animado.

Papo reto

Posted Maio 10, 2007 by armadaestratonauta
Categories: bledorn, daniel, msn, papo reto, truculência

Bledorn says:
Bicha!
Bledorn says:
Fui embora
Daniel… says:
da onde?

The following message could not be delivered to all recipients:
da onde?

Web 2.0: Maria

Posted Maio 9, 2007 by armadaestratonauta
Categories: false maria, metropolis, web 2.0, youtube

Fetichismo tecnológico, monstruosidade primitiva.

Como chimpanzé

Posted Maio 9, 2007 by armadaestratonauta
Categories: chiclete, chimpanzé, jantar

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Sérgio era um jovem impetuoso. Seus olhos verdes ardiam, mas ele não conseguia tirá-los de cima daquelas duas, sentadas do outro lado da mesa de jantar. Haviam outras pessoas, é claro, mas nada se comparava a Janete e Cíntia: uma loura, outra morena, uma com lábios carnudos, outra com olhar insinuante, ambas cochichando a maior parte do tempo, sabe-se lá o que. Janete fez um carinho no pescoço de Cíntia e depois olhou sorrateiramente para o garoto. “Foda-se se é a janta, vou tocar uma punheta agora mesmo”, pensou o rapaz – pediu licença educadamente e saiu.


This Was Just Nasty, originally uploaded by Jdmrhd.

“Cercada por idiotas”, pensou Laura. Estava certa: exatamente 34 segundo depois ela viu seu irmão mais velho sair com o pau duro direto pro banheiro. Ela tentava se enturmar com as garotas populares, um cliché inadmissível para uma garota indie como ela queria parecer, mas a carência de amigas bonitas falou mais alto que a razão. Rasgou um sorriso metálico na cara, enfiou o orgulho no cu e pediu por favor a mãe, que estava à mesa, para deixar as coleguinhas dormir na sua casa, para fazer trabalho de geografia durante a noite.

Dona Glória não gostava daquelas garotas. Pareciam levemente vulgares e vivas demais para a idade. Dona Glória achou inusitado o pedido da filha, mas permitiu. “Pelo menos hoje as brigas vão ser mais discretas”, pensou, “mas por garantia vou colocá-las no quarto de hóspedes”. Dona Glória, no fundo, só se preocupava naquele momento com as compras à tarde, e a curiosidade do seu marido rondando as crianças.

Seu Gabriel teve que segurar o riso quando viu seu enteado voltar sorrindo, feito malandro depois de passar um golpe. “Moleque bobo, treina o dia inteiro, na hora do gol manda pra fora do estádio. E depois é a Glória que limpa”. Sentia que Sérgio era bom, e aquelas meninas magras podiam dar-lhe uma lição boa essa noite, se ele desse as dicas certas. Barrigudo, cachaceiro e encostado no INSS por causa de pé-chato, ele sabia muito bem como se perder em pensamentos vadios sobre sua adolescência fértil.

Janete e Cíntia acabaram de comer e foram direto legar para suas respectivas mães para saber se poderiam dormir lá. Janete queria, Cíntia não. A questão girava em torno da qualidade dos colchões no quarto de hóspedes e outros detalhes… Não importou, não foram autorizadas, devido à falta de antecedência. Pediram desculpas, agradeceram pelo convite, pela atenção, pela deliciosa sopa de cérebro de chimpanzé com alcaparras e foram para a varanda esperar o carro dos pais.

People as Places as People

Posted Maio 8, 2007 by armadaestratonauta
Categories: Música

Modest Mouse, um bom nome de banda. Me lembra sempre o velho Gentle Giant, apesar de não ter muito a ver sonoramente.

Ardil Alomorfo

Posted Maio 8, 2007 by armadaestratonauta
Categories: Ficção

Toda a terrível seqüência de eventos que levou até o presente momento é, em larga medida, fruto das sabotagens efetuadas por um agente duplo, que chamaremos apenas de Hermes, por questões de segurança – esta figura contempla hoje todo o poder conquistado dentro de nossa organização, e portanto seria imprudente um enfrentamento direto com as informações que se seguem.

Os resultados iniciais da pesquisa de campo de nossa Armada revelavam, no cruzamento dos dados sobre os fluxos sanguíneos nas condições de estresse induzido quimicamente com as ressonâncias eletromagnéticas de baixa freqüência, a possibilidade de acertar uma nova estratégia de abordagem metodológica para prever (e possivivelmente prevenir) o processo de cristalização de padrões de conexão sintática cognitiva, em vista do rigor e constância dos dados,

A esse passo, no entanto, não era possível fazer qualquer tipo de publicação, ainda que superficial e interna às Brigadas de Libertação, pois era imprescindível testar o método em condições reais de uso, ou seja, em redes abertas, e para isso entramos em contato com a Junta de Barbosa e Araque. Eles ficaram responsáveis por nos disponibilizar um soldado-cobaia, sem que esse estivesse de fato a par dos testes, para maior rigor.

Os resultados foram perfeitos. Nesse momento Hermes, que não fazia parte da pesquisa inicialmente, entrou em contato com nossa equipe Alfa para garantir que já tinha recebidos os dados e que ia entrar em contato com os superiores em dois dias, e que deveríamos reverter os dados agora para as condições de batalha em campo aberto. Hoje podemos ver claramente que, na verdade, ele recebeu no máximo cochichos de algum funcionário de limpeza curioso, mas agora já é tarde.

Como ele falava com demasiada confiança, T. H. Floyd, o então vice-pesquisador-chefe, cabelo negro para o lado, jovem, barba feita, de família rica, mas repleta de problemas de pele genéticos, entrou em contato com Hermes. Floyd lhe garantiu que devia haver algum engano, e dessa forma o ardiloso golpe teve início. Ao conversar com Hermes, o pesquisador baixinho e perebento acabou por revelar-lhe informações secretas fundamentais sobre o caráter alomorfo dos compostos químicos – sem perceber, ele entregou o segredo da fórmula.

A partir de então, Hermes levantou rapidamente uma série de autorizações com seu amante, o Coronel, e efetuou a partir disso diversas subversões de pequeno porte em nossa pesquisa, mas que, após o longo período de vinte e oito séculos, o colocou como figura expoente na construção dos resultados finais, com o pretensioso título de “Luz do Saber”. Esse, na verdade, não é o problema, quero destacar, mas sim o fato de que uma pesquisa na ordem da estimulação social de conexão de singulares replicantes foi usada, com manobras desleais na morfologia dos cristais da mesma substância química que criamos, para estimular hordas bárbaras de legalistas contra toda a Brigada de Libertação.

Somos hoje, de fato, uma Armada de resistência, e todos os nossos esforços se flexionam para tentar reverter a formação dos cristais químicos em favor de fractais de subjetividades que sejam capazes de desfazer a composição cíclica de desejos (em última instância) destrutivos.